Quando minha mãe morreu eu não lembro se senti algo. Eu era muito nova... Talvez tenha sentido um tipo de saudades que os bebês sentem... não sei.
Quando a Bisinha morreu eu achei estranho o fato dela não estar mais na casa da minha avó... Me senti triste. Quem faria as piadas?
Quando o vô Jaime morreu eu levei um choque. Por aquela eu não espera. E eu aprendi que existia uma dor que nenhum remédio curava... só o tempo.
Quando o Vô Demar morreu eu tive medo. Será que ele morreu sabendo que eu o amava muito e que eu queria ser que nem ele? Aprendi então a dizer "eu te amo".
E fui dizendo... te amo! te amo... te amo, viu? às vezes as pessoas ficavam surpresas, sem graça. Nem todas sabiam dizer "eu também" mas agora eu tava feliz... Pelo menos elas sabem que eu as amo.
Quando a vó Eni morreu eu fiquei aliviada por não vê-la mais sofrendo... mas sinto falta de segurar suas mãozinhas todos os dias... e de ouví-la rindo e me contando as mesmas histórias de sempre. E o que eu mais sinto falta é de ouví-la me chamando de anjo. Era tão sincero... às vezes eu me sentia meio anjo... só com ela.
Quando a tia Neide morreu me senti muito mal por não ter ido visitá-la mais vezes... Se eu pudesse voltar no tempo, teria ido almoçar com ela mais domingos... Teria roubado mais docinhos... Teria dado mais abraços e feito mais poses para as fotos...
Essa noite eu sonhei que tinha morrido... E eu via as pessoas. Acho que vi alguém com dor. Alguém arrependido de não ter almoçado comigo nos domingos. E acho q vi algumas pessoas em paz. Elas sabiam que eu sentia o amor delas. Sempre.
"Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz.
Se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem."