quarta-feira, 22 de agosto de 2012

é que a gente...

É que a gente conversava. Conversava sobre música. Acho que foi assim que nos apaixonamos... A-ha. Queen. Pink Floyd. Tears for Fears. Eu respeitava vc não gostar de Beatles, mesmo achando que esse era um defeito muito feio em você.

É que a gente ria... A gente ria até ficar vermelho... Até correr pra não fazer xixi na calça. A gente ria até perder o fôlego. 

É que a gente cantava... Como dois tontos... um começava e o outro continuava... E a gente cantava e ria. E falava sobre música.

É que a gente assistia LOST e ficava uma semana comentando sobre o último episódio. Sim... ficamos tristes quando Charlie morreu... mas não sei o que você achou do fim da série... Não tivemos tempo de discutir sobre ela.

É que a gente adorava uma gordice! E vc babou em mim... babou tanto que fez uma poça de baba... Depois rimos até ficar roxos. 

É que tudo era leve. Era sincronizado. É que a gente era... a gente.

domingo, 8 de julho de 2012

Coisas que aprendi com quem se foi.

Quando minha mãe morreu eu não lembro se senti algo. Eu era muito nova... Talvez tenha sentido um tipo de saudades que os bebês sentem... não sei.

Quando a Bisinha morreu eu achei estranho o fato dela não estar mais na casa da minha avó... Me senti triste. Quem faria as piadas?

Quando o vô Jaime morreu eu levei um choque. Por aquela eu não espera. E eu aprendi que existia uma dor que nenhum remédio curava... só o tempo.

Quando o Vô Demar morreu eu tive medo. Será que ele morreu sabendo que eu o amava muito e que eu queria ser que nem ele? Aprendi então a dizer "eu te amo".

E fui dizendo... te amo! te amo... te amo, viu? às vezes as pessoas ficavam surpresas, sem graça. Nem todas sabiam dizer "eu também" mas  agora eu tava feliz... Pelo menos elas sabem que eu as amo.

Quando a vó Eni morreu eu fiquei aliviada por não vê-la mais sofrendo... mas sinto falta de segurar suas mãozinhas todos os dias... e de ouví-la rindo e me contando as mesmas histórias de sempre. E o que eu mais sinto falta é de ouví-la me chamando de anjo. Era tão sincero... às vezes eu me sentia meio anjo... só com ela.

Quando a tia Neide morreu me senti muito mal por não ter ido visitá-la mais vezes... Se eu pudesse voltar no tempo, teria ido almoçar com ela mais domingos... Teria roubado mais docinhos... Teria dado mais abraços e feito mais poses para as fotos... 


Essa noite eu sonhei que tinha morrido... E eu via as pessoas. Acho que vi alguém com dor. Alguém arrependido de não ter almoçado comigo nos domingos. E acho q vi algumas pessoas em paz. Elas sabiam que eu sentia o amor delas. Sempre. 

"Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz.
Se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem."

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Sete anos e a vida inteira.

Cicatrizes deixam marcas para que a gente não se esqueça o que aprendemos com os machucados. 

Se eu não tivesse tido a coragem de ver que algo entre nós tinha mudado, essa semana estaríamos juntos há 07 anos. Não estamos mais juntos... Não te vejo há 03 anos. Exceto pela aquela vez que te vi de relance no metrô... gritei o seu nome e quando dei por mim estava andando abaixada no meio da multidão com as pernas tremendo. Era véspera de natal... Podia ficar sem essa, né?

Sete anos. Hoje posso dizer que esses sete anos não são nada perto de todos os anos que eu vou viver com você. Podemos não estar juntos e não nos ver nunca mais... mas tudo o que a gente viveu estará para sempre comigo. Eu ainda me pego rindo sozinha das nossas piadas internas... às vezes solto umas e me pego constrangida com o olhar das pessoas boiando. A gente se divertia com as nossas besteiras, isso ninguém pode negar. 

E também tem as músicas... Fields of Gold do Sting... Djavan. John Mayer. Queen. Pink Floyd. Ah... Pink Floyd - Pulse... não tem como não ouvir e não sentir o seu cheiro. 

E os marzipans? Já me peguei parada por alguns minutos em frente à vitrine de marzipam no Rodoserv. Viajando... lembrando... rindo...

Hoje eu sua lembrança só me traz paz. Paz de ter superado. De ter cicatrizado. Paz de poder desejar o seu melhor. O meu melhor. 

E para sempre, no escuro do meu quarto, pedirei sua paz e proteção. Obrigada pela passagem em minha vida. Espero ter feito tão bem à você quanto você me fez. Fique em paz.

É Tuxo... escapamos por um triz.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

À Primeira Vista.





E agora? O que eu faço?  Foi só olhar pra você que sua imagem ficou tatuada em minha retina. Seu sorrisinho tímido e seu olhar curioso não saem da minha cabeça. Quase sempre me traz um sorriso bobo no rosto. Quando não, me traz uma carinha triste em pensar... Quem é você? Onde te encontro? 

Não senti... mas sei que seu cheiro é bom. Viciante. Eu já sinto falta dele... As músicas de Paul ficaram ainda mais belas saindo de seus lábios... No More Lonely Nights... Fiz questão de te admirar cantando. 

Fico te procurando pela cidade... Rosto por rosto no metrô à sua procura. Você não se lembra? Conversamos a volta toda do trabalho... Ah... é verdade. Foi minha imaginação. Mas nos divertimos muito. Ah.. o amor platônico... Maybe I'm Amazed... Com certeza estou... 

Espero que você curta o Ringo. E que eu te encontre lá dia 19. Até lá... vou esperar o meu cel tocar todos os dias...

:) Considere meu sorrisinho... ALC.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Fui lá fora.

Não sei em que momento eu quebrei. 

Engraçado isso... falar que alguém quebrou... mas é como eu me sinto às vezes... Me conhecendo como eu fui e como eu sou.

Eu era sempre a primeira da turma... A pró ativa... A que tinha as idéias e liderava o grupo... A que tinha cinco projetos em andamento e mais 7 na cabeça... A que ficava horas alugando um ouvido disponível pra contar seus planos e sonhos...

Hoje eu sou a menina que trabalha ali... feliz com o trabalho mas que vive sonhando com as férias e com a hora de chegar em casa e dormir... dormir... dormir...

Talvez isso se chame amadurecimento... não sei... só sei que se for... é muito chato amadurecer... 

Em que momento da vida eu quebrei e perdi todos aqueles sonhos? Onde eles foram parar? Onde foi aquela vontade de ser, fazer e viver? Qual foi o tapa na cara que a vida me deu que me deixou assim? Ou será que o tapa foi em outra pessoa e eu fiquei só ali observando e sentindo aquela dor? Em que momento da vida eu... receio em dizer... em acreditar... mas em que momento da vida eu desisti?

Antes a primeira da classe e hoje julgada por todos por ser uma aluna com problema de horário... Sempre atrasada... e pior... julgaram até minha vontade e dedicação para com a minha personagem... Parem o mundo... quem sou eu? quero descer! e voltar para aquele tempo em que eu dava as soluções e nunca criava os problemas!!!

Eu tô com medo... de verdade. 
Agora preciso ir ali fora... chorar. depois passa. sempre passa.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

a rebeldia.

Eu não fui... faltei... e faltaria de novo se hoje se repetisse 49 vezes. 



Não... não vou ganhar nada com isso.
Sim, estou sendo infantil.
Não, não quero confete.
Sim, preferi ficar na minha.
Não... não estou de TPM.

Preferi ficar na minha... pra não ofender ninguém, não atrapalhar ninguém e não me machucar ainda mais com essa desilusão. Nunca me senti tão mal no palco (não, ainda não subi no palco... mas não estou à vontade com o papel, com a peça, comigo como atriz...).

Sim... acho que ela me estragou porque eu deixei ser estragada.

Sei lá. Fechem as cortinas. Dionísio me abandonou! 

Som! Fúria! Contado por uma maluca procurando significado!

...

Acho que preciso dormir.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Non, je ne regrette rien.



Não! Eu não me arrependo de nada. 

Não me arrependo dos "nãos". Dos "sims". Dos choros. Das gargalhadas. Das broncas. Das dores e dos amores. Não me arrependo de ter comido aquele chocolate no meio da dieta. Nem daquele porre que me fez acordar com dor de cabeça no dia seguinte. Não me arrependo de ter dito "eu te amo" quando amei. E do "não dá mais", quando não dava mais. 

Não me arrependo das minhas tatuagens. Do meu piercing. De ter mudado o cabelo. Da profissão. Das escolhas. Não, não me arrependo de nada... De ter deixado os cachorros entrarem em casa escondidos e levar bronca. De roubar docinhos da mesa de festa para os priminhos. De ter mentido uma vez ou outra pra aprender que não devo mentir nunca.

Não me arrependo dos erros... Que me ensinaram não errar mais.




Non, je ne regrette rien!

Peraí! Me lembrei de algo que eu me arrependo! De não ter dado aquele beijo no Edgar na 8ª série. Adolescente. Tímida. Eu gostava dele. Ele gostava de mim. E com vergonha eu disse não. Não me arrependo de quase nada.

That's my way Kiki.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

de repente.

E de repente eu cresci.

Foi bem estranho eu entender que agora sou adulta. Por mais que minha priminha Marina me chamasse de pós-adolescente, eu sei. O peso de ser adulta já estava se fazendo grande para eu deixar de notá-lo. As preocupações são sérias. Não que as da infância não tivessem sido... mas agora é diferente. O peso é diferente. O sabor é diferente. E o preço é muito diferente. 

Um dia você reclamava da prova de matemática... Quando chegou no seu projeto de conclusão de curso você sentiu uma saudades da prova de matemática do Seu Clóvis e achou que nunca sentiria falta da época do TCC. Até que em um feriado qualquer você: trabalhando virada, com sono, cabelo desarrumado, unhas feias, saudades dos amigos, saudades da família, com a casa bagunçada - resolve ligar para a casa dos avós com todos reunidos e falam: Só tá faltando você aqui. Nesse momento você sente o peso. A dor. E sente falta da época do TCC.

Essa grande máquina de dar certo que é o mundo nos coloca em situações em que você se vê obrigado a pelo menos escolher algo com que curte trabalhar para sobreviver e eu não sei em que momento algumas pessoas trocam o trabalhar para viver e começar a viver para trabalhar. Sem contar que muitas você acaba gastando seu rico dinheirinho, suado... em remédios e médico para tratar ansiedade, gastrite, queda de cabelo... tudo fruto do tão moderno e na moda Stress... E quando viu... Sua tia querida engraçada, que fazia você pegar doces escondidos para ela, não estará mais lá... ela se foi... e aquele dia que você deixou de ir vê-la, e levar um chocolatinho escondido nunca mais irá voltar... Quantas pipocas do papai você perdeu. Quantas histórias do vovô deixou de ouvir. Quantos abraços de mãe você deixou de ganhar... e o pior... Quantos "eu te amo, viu?" você deixou de dizer.

Faça o que você ama. Ame o que você faça. Mas não viva pra trabalhar... Trabalhe pra viver sua história.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

o universo.

De repente eu entendi.


Dessa vez não vou olhar pra cima e perguntar "Por quê?" Dessa vez eu ouvi você me perguntando isso. E eu não sabia a resposta. Tinha tudo o que eu pedi. Em outras pessoas... mas estava tudo ali. E eu querendo correr e deitar na minha cama com meu edredom de malha abraçada no sempre companheiro Elvis... Agora eu entendo... quando você tantas vezes riu da minha cara foi porque eu tantas vezes ri da sua? É isso? 


Eu mereço então. Alguma coisa em mim quebrou e eu não sei em que momento foi... Mas quebrou e eu acho q vou me contentar em curtir minhas paixões platônicas pelo professor x, pelo mocinho de olheiras da banda, pelo nerd do refeitório... assim eu me distraio... e quando eu não quero mais, eu sei que o Elvis estará lá sempre, me oferecendo o mais macio dos abraços. 

Princesa sempre pronta pro sapo e sem paciência pro príncipe...

Agora não irei mais reclamar. Não posso mais. Eu entendi. Eu. Entendo.


sábado, 5 de maio de 2012

dança comigo.

Não disse nada.



Apenas olhei. Talvez tenha dito com os olhos. Sim... acho que disse. Dança comigo? Não sei de onde veio essa idéia... Foi naquela torca de olhares. Talvez tenha sido. E o tempo parou... o silêncio reinou... Dança?

Quase me vi estendendo-lhe a mão... Ainda bem que não o fiz. Ele não entenderia nada. Mas acho que ele me ouviu. Me ouviu com os olhos. Sim... acho que ouviu.

Seus olhos, seu corpo e suas covinhas no cantinho da boca me responderam um sonoro e cinza nada. Não dançou. E lá eu fiquei com os olhos de mão estendida na multidão. E assim eu fiquei. Acho que assim eu estou. Sim... acho que estou até agora com as mãos estendidas. Com os olhos que não se calam. 

Dança comigo? 



sexta-feira, 4 de maio de 2012

o apelido.

E hoje eu ganhei um novo apelido.




Um apelido carinhoso de alguém que nunca me vira. De RDBV virei PVDF - ou pontinho vermelho do Frans. 
E lá estava eu. De canadá. Ele de Vancouver. Ou Montreal?não lembro bem. 
Eu vermelha. Cabelos. Blusa. Unhas. Rosto. Ele sorrindo. 
Pelo segundo dia eu me dei o luxo de não pensar em nada. Não julgar. Não fazer nenhuma prospecção. Só curtíamos nossos sucos exóticos e falávamos do medo de tomar aspartame. 

Fui embora... um pontinho vermelho pela rua. Ele foi embora. Um pontinho sorrindo esperando em minha cara uma confirmação sincera de um novo momento.

Foi sincera.

Mas o pontinho vermelho está vacinado. E como só nós do interior entendemos: Cachorro picado por cobra, tem medo de linguiça... Entendeu?

quinta-feira, 3 de maio de 2012

o abraço.

E ele me deu um abraço. 

Um abraço que durou muito mais tempo que eu esperava. Durou uma eternidade. Não foi só um abraço... foi o abraço. Aquele abraço. Único no universo. Lá, no meio da sala, na frente de todos e ao mesmo tempo era como se só houvesse eu, ele e nossos braços. O resto era um nada. Foi o abraço. Que falou tudo. Que calou tudo. Que explicou tudo. Através do seu olhar de cumplicidade e sorriso tímido, me conduziu quase como se eu fosse flutuando para seus magros e aconchegantes braços. Não pensei em nada. Não quis pensar em nada. Me dei esse luxo. Eu merecia não pensar em nada e viver aquele momento. Depois de passar o dia tentando entender porque o universo gostava de tirar uma com a minha cara... de ficar magoada, não com ele... mas com o universo. Lembro de ter olhado pro céu, num tom de cinza debochado... rindo pra minha cara triste... e eu disse: "precisava mesmo disso?" Enquanto estava em seus braços na eternidade daquele silêncio eu ouvi o universo se desculpando. Obrigada pelo abraço. Obrigada pelas respostas. Obrigada pelo silêncio. Esse abraço foi a melhor resposta pro "dança comigo?" Eu entendi. Agora eu entendi. E ah... universo... Obrigada.